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TIM errou feio no “tem que pagar se quer mais internet”

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Tá errado, TIM… tá errando feio… tá errando rude! Isso não é evoluir, e muito menos fazer diferente.

(PS: a piada do Porta dos Fundos nunca vai morrer, e vou usá-la até o fim dos tempos).

Eu entendo o desespero da TIM em querer aumentar a sua receita (todo mundo quer), e nem acho que a fala do CEO da operadora, Pietro Labriota, está tão errada assim. Em tese, se você quer mais de qualquer coisa nessa vida, precisa pagar a mais por isso. O problema é que isso nem sempre cai bem com os consumidores, especialmente quando o seu serviço não oferece tantas vantagens assim.

A TIM defende que o usuário precisa pagar mais internet porque ele consome mais internet hoje (em 2015, o consumo médio de internet móvel do brasileiro era de 150 MB; em 2019, é de 2 GB). Porém, Labriota se esquece de alguns detalhes que precisam ser esclarecidos para amortizar a reclamação do “o brasileiro gasta mais, mas paga o mesmo preço”.

 

 

Explicando por que a declaração é infeliz

 

 

Para começo de conversa, a internet de 2019 é bem diferente da internet de 2015. Temos sites mais elaborados, que consomem mais conteúdo de mídia (fotos, vídeos, áudio em MP3) que, naturalmente, resultam em um maior volume de downloads. Além disso, smartphones melhores e mais completos resultam em usuários instalando mais aplicativos, o que também significa um maior volume de dados em consumo.

Além disso, o comportamento do internauta brasileiro mudou drasticamente nos últimos quatro anos. Hoje, consumimos mais conteúdo de áudio e vídeo por streaming, jogamos mais no smartphone, produzimos um volume maior de conteúdo (aliás, qualquer pessoa pode ser um produtor de conteúdo nesse momento) e enviamos mais bobagens nas redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas (e eu não estou falando apenas de memes e nudes; lembre-se que mensagens de áudio via WhatsApp são arquivos que exigem upload e download).

Logo, o CEO da TIM jogar na conta que os usuários simplesmente consomem mais internet sem considerar toda a transformação da internet como um todo e as mudanças de comportamento dos usuários é deixar cair no vazio o argumento de aumento de preço porque o usuário simplesmente deve pagar a mais para ter mais.

A declaração de Labriota via na contramão das operadoras ao redor do mundo. Lá fora, todo mundo entendeu que todo mundo está consumindo mais e mais do seu pacote de dados, e o que realmente importa para as operadoras é manter os clientes em sua base de assinantes.

Então, o que as operadoras (lá fora) estão fazendo?

Estão entregando planos de telefonia móvel com franquias gigantescas ou com tráfego ilimitado. Ainda mais com a chegada do 5G, que tem uma velocidade de transmissão de dados altíssima. Por isso, não faz nem sentido limitar o usuário em um pacote de dados que pode ser consumido rapidamente.

Voltando para a postura da TIM.

 

 

Você paga a mais para a TIM, mas… terá um serviço melhor?

Um dos motivos para abandonar a operadora (e o seu tão desejado plano TIM Beta) foi o fato do pacote de dados não ser cumulativo (sem falar na cobrança de roaming em pleno 2019 D.C. – Depois de Cristo, e não DC Comics). Na Oi, eu pago R$ 99,90 por mês, tenho 100 GB de dados (obrigado, Black Friday, pela graça alcançada), tenho roaming e chamadas ilimitadas e, como cereja do bolo, o meu plano tem pacote de dados cumulativos.

Ou seja, a franquia de internet que eu não consumi em um mês vai para o próximo mês, o que torna o meu plano de internet (quase) infinito (vai ser difícil eu consumir 100 GB de dados em um mês – e eu sou um usuário heavy user).

Labriola ainda defende que as operadoras deveriam abandonar a competição entre elas, defendendo o fim da guerra entre preços. O que não faz o menor sentido, uma vez que é a concorrência e a competição entre os players que resultam em preços e serviços melhores para o cliente.

Só eu percebi que Labriola só está pensando no lucro e não no cliente?

E o executivo da TIM fala tudo isso na mesma semana que a Claro decide aumentar a franquia de dados dos seus planos pós sem cobrar a mais dos seus clientes.

Que falta de timing, não?

A cobrança adicional para oferecer serviços em zero rating nem me incomoda tanto, pois eu defendi a estratégia no começo de 2019 quando um deputado estadual de Santa Catarina apresentou um projeto de lei (sancionada pelo governador Carlos Moisés e depois derrubada pela justiça por ser inconstitucional – quem cuida disso é a Anatel) que impedia a prática, argumentando que as operadoras estavam lucrando sem pagar impostos desses serviços.

O resultado dessa lei infeliz foi: planos mais caros e menos vantajosos para Santa Catarina. Simples assim.

De qualquer forma, Labriola errou feio nas declarações e no timing das declarações. Ninguém quer pagar a mais para ter mais internet. O que o usuário brasileiro realmente quer é ter um serviço de qualidade que resulte em uma boa relação custo-benefício.

Ou melhor: eu não me incomodo em pagar o dobro do TIM Beta para ter um pacote de dados cinco vezes maior e roaming nacional ilimitado. Pois esse serviço me atende melhor.

Agora, se a TIM funciona melhor que a Oi na cidade onde você vive, aí é outra história. E eu entendo você. Só lamento por você estar preso nessa realidade.

 

Via InfoMoneyMobile Time


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